O diabetes mellitus se refere a um grupo de doenças metabólicas, tendo como denominador comum a hiperglicemia, decorrente na maioria das vezes da produção diminuída de insulina pelo pâncreas endócrino ou ineficácia da ação da insulina nos tecidos alvo, ocasionando modificações no metabolismo de proteínas, gorduras, sais minerais e principalmente carboidratos. A hiperglicemia crônica no indivíduo com diabetes está associada em longo prazo a danos, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos (COSTA e ALMEIDA, 2009).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2016), o diabetes mellitus tem sua classificação etiológica dividida em quatro categorias gerais:

– Diabetes mellitus tipo 1 (DM1)
– Diabetes mellitus tipo 2 (DM2)
– Diabetes mellitus gestacional (DMG)
– Outros tipos específicos de DM

Como parte do tratamento do DM estão os exercícios físicos, pois contribuem com a melhora na qualidade de vida do portador de DM além de ajudar a sensibilizar os receptores de insulina localizados no tecido muscular esquelético (SBD, 2016).

Nosso objetivo com este breve documento é apresentar possibilidades que possam ser úteis para o Profissional de Educação Física que prescreve ou pretende prescrever exercícios ao portador de diabetes.

Neste documento, abordaremos o DM2 por ser o mais frequente nas populações e, principalmente, o DM1, por causar grande preocupação ao Profissional de Educação Física por utilizar insulina exógena para tratamento, apresentando assim um risco aumentado de hipoglicemia, tanto durante como logo após a prática de exercícios.

Para minimizar os riscos de hipoglicemias, recomenda-se ao Profissional de Educação Física que tem alunos com diabetes, antes de iniciar a sessão de exercícios, medir a glicemia capilar, verificar o tempo de ação da insulina que foi aplicada e o tipo de antidiabético oral e seu tempo de ação, verificar o consumo de carboidrato na última refeição e o local onde a insulina foi aplicada. É fundamental medir a glicemia capilar ao término da sessão de exercícios para termos referência de como determinado tipo de exercícios e sua combinação impactou na glicemia do portador de DM (DORO et. al., 2017).

O primeiro passo para o Profissional de Educação Física, que irá trabalhar com portador de diabetes, está em conhecer o efeito de diferentes exercícios na resposta glicêmica.

RAMALHO et. al. (2010), mostraram que a resposta glicêmica após um treino de musculação aplicado a portadores de DM1, apresentou diminuição bem menor na glicemia quando comparado ao exercício cíclico com predomínio do metabolismo aeróbio.

O exercício cíclico com predomínio do metabolismo aeróbio, tem como característica uma maior velocidade na depleção dos estoques de glicogênio muscular, provocando uma maior variabilidade na diminuição nos valores de concentração de glicose no sangue feita antes e imediatamente após a sessão de treinamento (DORO et. al., 2017).

Um dado interessante é que o exercício cíclico com predomínio do metabolismo aeróbio, sendo executado antes do exercício resistido em treinamento concorrente, mostrou menos episódios de hipoglicemia em portadores de DM1, quando comparado ao grupo que executou exercício resistido antes do exercício cíclico (YARDLEY et. al., 2012).

O treinamento concorrente em indivíduos com DM2 também tem mostrado resultados importantes com relação ao aumento na sensibilidade a insulina e diminuição acentuada no percentual de hemoglobina glicada (JOHANNSEN et. al., 2016).

Para evitarmos a hipoglicemia, durante ou após o exercício, é comum a ingestão de carboidrato antes ou durante o exercício ou então diminuir a dose de insulina ultrarrápida da última refeição antes do treino. Estes procedimentos têm mostrado o risco aumentado do portador de diabetes após o exercício e no dia posterior ao exercício permanecer com níveis glicêmicos acima dos padrões diários (YARDLEY e SIGAL, 2015).

Uma nova proposta surge aparentemente trazendo menor risco de hipoglicemia durante e logo após a sessão de treinamento. Através da variação da intensidade do exercício, como no treino intervalo, durante o exercício cíclico com predomínio do metabolismo aeróbio, aplicar estímulos anaeróbios (YARDLEY e SIGAL, 2015). Por exemplo, correndo a uma velocidade moderada, a cada dois minutos aplicar uma corrida em velocidade máxima por tempo reduzido, pois assim há estímulo para aumento na liberação de hormônios contrarreguladores à ação da insulina que aumentarão a liberação de glicose no sangue, diminuindo assim o risco de hipoglicemia.

Prof. Ms. Antonio Roberto Doro

Mais informações sobre o assunto pode ser encontrado no documento oficial organizado pela Comissão Especial de Saúde (CES) do CREF4/SP – Diabetes e Exercício (2017), disponível para download.

REFERÊNCIAS

COSTA, A. A.; ALMEIDA NETO, J. S. Manual de diabetes: educação, alimentação, medicamentos, atividades físicas. 5.ed. São Paulo: Sarvier, 2009.
SBD. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2015-2016/ [Orgs): José Egídio Paulo de Oliveira, Sérgio Vencio]. São Paulo: A.C. Farmacêutica, 2016.
DORO, A. R.; ALONSO, D.; LIRA, F. S. de; FREITAS JUNIOR, I. F.; PEREIRA, R. Z.; LIMA, W. P. Diabetes e Exercício. [Organizador: Waldecir de Paula Lima]. São Paulo: CREF4, 2017. Disponível online: https://www.crefsp.gov.br/comunicacao/manuais-e-cartilhas/. Consultado em 8 de novembro de 2017.
RAMALHO, A. C.; LIMA, M. de L.; NUNES, F. CAMBUI, Z.; BARBOSA, C.; ANDRADE, A.; VIANA, A.; MARTINS, M.; ABRANTES, V.; ARAGÃO, C.; TEMÍSTOCLES, M. The effect of resistance versus aerobic training on metabolic control in patients with type-1 diabetes mellitus. Diabetes Research and Clinical Practice, v. 72, n. 3, p. 271-6, 2006.
YARDLEY, J. E.; KENNY, G. P.; PERKINS, B. A.; RIDDEL, M. C.; MALCOM, J.; BOULAY, P.; KHANDWALA, F.; SIGAL, R. J. Effects of performance resistance exercise before versus after aerobic exercise on glycemia in type-1 diabetes. Diabetes Care, v. 35, n. 4, p. 669- 675, 2012.
JOHANNSEN, N. M.; SWIFT, D. L.; LAVIE, C. J.; EARNEST, C. P.; BLAIR, S. N.; CHURCH, T. S. Combined aerobic and resistance training effects on glucose homeostasis, fitness, and other major health indices: A review of current guidelines. Sports Med., v. 46, n. 12, p. 1809- 18, 2016.
YARDLEY, J. E.; SIGAL, R.J. Exercise strategies for hypoglycemia prevention in individuals with type 1 diabetes. Diabetes Spectrum, v. 28, n. 1, p. 32- 8, 2015.

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