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Antigamente a Educação Física era relacionada basicamente à escola e à performance (alto rendimento), ao longo dos anos aumentaram o número de estudos relacionados ao exercício e o tratamento de doenças.

Atualmente há um grande reconhecimento da importância da atividade física no tratamento do HIV e AIDS, porém é essencial saber que nem todos os pacientes estarão aptos a realizar os exercícios físicos. Os principais fatores que geram restrição são: idade superior a 34 anos para homens e 44 anos para mulheres; dois ou mais fatores de risco cardiovasculares; pressão arterial sistólica > 120 mm Hg; pressão arterial diastólica > 80 mm Hg; LDL-colesterol > 160 mg/Dl; triglicérides > 150 mg/dL; HDL-colesterol mulheres: ≤ 50 mg/dL; HDL-colesterol homens: ≤ 40 mg/dL; Glicemia > 100 mg/dL; IMC < 18 e > 25; pacientes com sinais ou sintomas de anomalias cardiovasculares ou sabidamente portadores de doença cardíaca, pulmonar ou metabólica.

O objetivo do exercício físico para pessoas vivendo com HIV\AIDS é ajudar a contrabalancear os efeitos colaterais decorrentes da medicação antirretroviral e da própria infecção crônica pelo HIV. Ele apresenta potenciais benefícios profiláticos, associado ao aumento da massa magra, redução da massa gorda e melhora da aptidão cardiovascular, podendo também ocorrer redução nas concentrações totais de colesterol e triacilgliceróis. Melhora no VO2max e melhoras superiores com intensidade alta comparado a intensidade moderada. Pequena ou nenhuma melhora dos parâmetros imunes com o exercício aeróbio, porém, não diminui a contagem do número de linfócitos T-CD4+, quando bem orientado e prescrito, com acompanhamento. Melhora de parâmetros psicológicos com o exercício, está ligada a melhora da imagem corporal, importante para indivíduos infectados com o HIV e redução dos sintomas de ansiedade e depressão. Estimula a aquisição de hábitos de vida saudáveis, melhorando a qualidade de vida desses pacientes.

Prescrição do Exercício

A prescrição do exercício deve ser individual e levar em consideração: nível de aptidão física relacionada à saúde; estágio da doença; esquema terapêutico (medicação) e os seus efeitos adversos.
O treinamento aeróbio está associado a adaptações em várias das capacidades funcionais relacionadas com o transporte e utilização do oxigênio. As mais evidentes são as adaptações metabólicas e cardiopulmonares. Um aspecto importante na prescrição de exercícios aeróbios é o controle da intensidade adequada do esforço.
O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que a intensidade do esforço para o aprimoramento da capacidade cardiorrespiratória deva situar-se entre 55 e 90% da frequência cardíaca máxima (50 e 85% do VO2max).

As respostas fisiológicas ao treinamento aeróbio de pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA) têm sido na maioria das vezes, as mesmas apresentadas por indivíduos não portadores do vírus.
Os estudos indicam que os exercícios aeróbios de intensidade moderada ou alta parecem não apresentar riscos para as PVHA. Um programa de treinamento aeróbio para PVHA deverá contemplar os princípios básicos do treinamento desportivo, assim como levar em consideração o nível de aptidão física de cada indivíduo, o estágio da doença, a medicação e os efeitos colaterais. A recomendação para melhorar a aptidão cardiorrespiratória é de prática de exercício aeróbio entre 2 a 3 vezes por semana, com duração de 20 a 45 min e intensidade moderada (50 a 75% da FC máx.).
O principal objetivo do treinamento de força é gerar hipertrofia, possibilitando autonomia e aumento da autoestima em PVHA. A recomendação é de que seja realizado: 3 vezes por semana, de 6 a 8 exercícios, 3 series de 8 a 12 repetições, com intensidade entre 60 e 85% de 1RM, visando principalmente para os membros com lipodistrofia.

Sabemos então que as pessoas com HIV e AIDS podem e devem realizar exercícios para manter sua qualidade de vida e saúde. Entre os vários benefícios que o exercício oferece estão: melhora transitória do sistema imunológico; menor incidência de estresse e depressão; melhora do estado nutricional (IMC); melhora da composição e imagem corporal.

Referências Bibliográficas

Behrens GM. Treatment options for lipodystrophy in HIV-positive patients. Expert Opin. Pharmacother, [S.l.], 2008, v. 9, p. 39-52.
Hsue PY et al. Role of viral replication, antiretroviral therapy, and immunodeficiency in HIV-associated atherosclerosis. AIDS, [S.l.], 2009, v. 23, n. 9, p. 1059-67.
Grace JM, Semple SJ, Combrink S. Exercise therapy for human immunodeficiency virus/AIDS patients: Guideline for clinical exercise therapists. Journal of Exercise Science & Fitness, 13 (2015) 49-56.

Por: Bianca Trovello Ramallo – CREF 056331-G/SP
Graduada em Educação Física (Licenciatura e Bacharelado); Pós Graduada em Fisiologia do Exercício e Nutrição; Mestrado em Biodinâmica do Movimento Humano; Doutorado em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina, (Cirurgia Cardiovascular); Pós-Doutorado. Professora da Universidade Federal do Maranhão (2013 e 2014). Professora da graduação em Nutrição, Enfermagem, Biomedicina e Biologia da FMU. Professora dos cursos de pós-graduação da Universidade Estácio e FMU.

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