Há pouco mais de um mês, o “LifeStyle Coach”, como se autodenomina Ricardo Barbato se envolveu em uma polêmica relacionada ao exercício ilegal da profissão de educador físico. O caso ganhou repercussão por ele ser namorado da blogueira Gabriela Pugliesi, conhecida por postar nas redes sociais seus treinamentos e dar dicas de saúde.

Seus posts mostrando treinamentos e aulas para outras pessoas acabaram revoltando os profissionais registrados no Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região, que iniciaram campanha nas redes sociais contra Barbato e Pugliesi. A ação convocou professores de Educação Física a postarem fotos com a hashtag  #EuTenhoCref e #MostreSeuCref e chamou a atenção do órgão responsável pela fiscalização.

Barbato foi autuado pelo CREF4/SP no Parque no Ibirapuera, em São Paulo, e tinha até o último dia 26 para realizar a entrega de sua defesa, completando dez dias de prazo para tal.

Em entrevista para a Jovem Pan Online, o coordenador do Departamento de Fiscalização do CREF4/SP, Valdir Fregolon, alega que a impugnação de Barbato foi recebida, mas que eles “não podem se manifestar sobre o seu teor antes do julgamento”.

A insatisfação dos profissionais registrados, no entanto, continua. O “caso Barbato” funcionou como a gota d’água para um problema crescente no meio.

O personal trainer e instrutor de musculação da academia K2 Smart Fitness Solution, Leandro Yanase (CREF: 122638-G/SP), esclarece que isso não acontece apenas com Barbato. “Vejo o caso como um importante indício de que há pouca informação sobre esta profissão e do que se pode ou não fazer. Ou seja, se nem os profissionais da área algumas vezes sabem o que fazer, imagine quem não é da área”, indaga.

Para o coordenador da academia Mockba Centro de Treinamento e Ciência do Esporte, Carlos Alexandre Bomfim (CREF: 100103-G/SP), Barbato enganou as pessoas: “é um indivíduo que não possui nenhum preparo técnico para prescrever exercícios”, diz. Ele ainda alerta para os riscos de lesões que podem ser maiores.

A opinião dos alunos

As opiniões ainda são divididas e muitos alunos não sabem da obrigatoriedade do registro profissional para os educadores físicos. A jornalista Rafaela Ferraz, de 24 anos, explica que “nunca tinha parado para pensar sobre isso antes do que aconteceu com Barbato”.

O estudante Rafael Felicíssimo, de 24 anos, diz que nunca teve curiosidade para perguntar sobre isso: “é o tipo de coisa que nem passa pela cabeça da gente ao nos interessarmos em fazer academia”.

Já o analista de sistemas, Marcelo Borelli, de 31 anos, crê que o CREF é tão valioso quanto um registro médico (CRM): “é importante para saber que aquela pessoa é habilitada a te orientar nos treinos”. Ele ainda acrescenta que o conhecimento empírico e prático é válido, mas que sem uma base teórica isso não adianta e ainda é um risco ao aluno. “O CREF não faz o profissional, mas o profissional faz o CREF”.

Questionados se teriam aulas com professores não registrados, as opiniões são divergentes. “Se fosse um profissional indicado por alguém e que já tivesse experiência, eu teria aulas sim, mesmo sem o CREF”, diz Rafaela. O estudante Rafael vai pelo mesmo caminho e acrescenta que “o que interessa é que ele [instrutor] tenha conhecimento na área”. Já Marcelo não aceitaria aula deste profissional sem registro: “é grande o risco de sair lesionado e sem uma orientação adequada”.

A fiscalização

A fiscalização é feita por meio da orientação e averiguação nos locais que oferecem atividades físicas. Sejam eles parques, escolas, prefeituras, clubes e academias, por exemplo. Fregolon explica que as ações são feitas em visitas de rotina e atendimento às denúncias, como foi o caso de Ricardo Barbato.

“Todos os estabelecimentos que oferecem as atividades pertinentes ao Profissional de Educação Física são submetidos a constantes procedimentos de fiscalização, devendo também ter seu registro junto ao CREF4/SP, conforme Lei Federal 6839/80”, diz.

Apesar da fiscalização “constante”, os profissionais registrados ainda acreditam que ela pode ser mais firme. “Nunca os vi atuando na academia em que trabalho e nem mesmo quando faço um trabalho de personal trainer em parques. Vejo que a atuação deles ainda têm muito a melhorar em relação à fiscalização”, conta Leandro.

O coordenador da academia Mockba Carlos Alexandre taxa a fiscalização como “muito ruim”, já que várias academias de grande porte em São Paulo não são autuadas. Ele ainda acredita que o CREF deveria proceder como faz o Conselho Regional de Medicina: “quando alguém exerce a função indevidamente ele é autuado e preso, porque está colocando a vida de uma pessoa em risco”.

Saiba se seu instrutor possui CREF

Não apenas o CREF4/SP indica que os alunos procurem saber mais sobre seus professores, quanto os próprios profissionais incentivam tal ação. É claro que algumas vezes o aluno pode se sentir desconfortável em abordar seu professor e perguntar se ele é registrado.

Neste caso, Valdir Fregolon diz que a sociedade não pode se sentir intimidada e que deve requisitar a habilitação ao responsável pela orientação das suas atividades. “Temos certeza que o profissional regular sentirá orgulho em apresentar seu CREF”.

“Não me importo da pergunta e fico feliz por eles [alunos] se preocuparem em ter alguém capacitado para atendê-los de forma segura”, conta Carlos Alexandre. O personal trainer Leandro endossa o colega: “é com o CREF que um aluno pode ser protegido”.

Por Marina Ogawa/Jovem Pan

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