O mês de outubro apresenta grande representatividade não só pelo fato de integrar, no hemisfério sul, a mais bucólica estação do ano, mas também, por acolher uma campanha social altamente significativa: o “Outubro Rosa”, que visa conscientizar a mulher, assim como a sociedade em geral, quanto à importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2016), o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama, sendo que alguns têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos.

Respondendo por, aproximadamente, 25% dos novos casos a cada ano (embora nos EUA tenha atingido a estimativa de 30% – ACS, 2017), o câncer de mama representa o segundo tipo mais comum de câncer entre as mulheres no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Especificamente no Brasil, esse percentual é um pouco mais elevado, atingindo, cerca de, 28,1%. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país (INCA, 2016).

Portanto, fica evidente que ações convergentes no sentido da prevenção deste tipo de câncer vão impactar, de forma significativa, a saúde da mulher.
Dentre estas diversas ações, destaca-se a prática do exercício físico que, desde algum tempo, vem sendo apontada na literatura acadêmica como uma estratégia de prevenção ao surgimento de diversos tipos de câncer, inclusive o de mama (BROWN et al, 2012).

Ademais, determinados programas de exercício físico (considerando, principalmente, o volume, a intensidade, a duração e a frequência) também são apontados, por esta mesma literatura acadêmica, como estratégias eficazes para promover o fortalecimento do sistema imunológico e, por consequência, como tratamento adjuvante ao convencional medicamentoso em diversos estágios do câncer (NOGUEIRA e LIMA, 2016), inclusive o de mama (SCHMIDT et al, 2017; CHEN et al, 2011), assim como para minimizar o surgimento da fadiga relacionada ao câncer nas mulheres portadoras do câncer de mama (MENESES-ECHÁVEZ et al, 2015).

Importante ressaltar, que a prescrição de exercício físico é uma prerrogativa do Profissional de Educação Física habilitado (PEF). Portanto, é fundamental que as pessoas da sociedade em geral, assim como, neste caso específico, as mulheres, estejam conscientes que, caso tenham a intenção ou a necessidade de se submeterem a prática do exercício físico, esta deve ser prescrita e orientada por um PEF habilitado e que apresente expertise na área específica de atuação: a área da saúde!

Referências
ACS – American Cancer Society. Cancer Facts & Figures, 2017. Disponível clicando aqui. Acesso em: 06 de outubro de 2017.
INCA – Instituto Nacional do Câncer. Câncer de Mama, 2016. Disponível clicando aqui. Acesso em: 06 de outubro de 2017.
BROWN JC, WINTERS-STONE K, LEE A, SCHMITZ KH. Cancer, physical activity, and exercise. Compr Physiol. 2012;2(4):2775-809.
NOGUEIRA HS, LIMA WP. Linfoma de Hodgkin, quimioterapia e exercício físico: respostas hematológicas e de desempenho físico. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. 2016;10(62):782-97.
SCHMIDT T, VAN MACKELENBERGH M, WESCH D, MUNDHENKE C. Physical activity influences the immune system of breast cancer patients. J Cancer Res Ther. 2017;13(3):392-8.
CHEN X, LU W, ZHENG W, GU K, MATTHEWS CE, CHEN Z, ZHENG Y, SHU XO. Exercise after diagnosis of breast cancer in association with survival. Cancer Prev Res (Phila). 2011;4(9):1409-18.
MENESES-ECHÁVEZ JF, GONZÁLEZ-JIMÉNEZ E, RAMÍREZ-VÉLEZ R. Effects of supervised exercise on cancer-related fatogur in breast cancer survivors: a systematicreview and meta-analysis. BMC Cancer. 2015;21(15):77.

Por: Prof. Dr. Waldecir Paula Lima, conselheiro e presidente da Comissão Especial de Saúde (CES) do Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região – CREF4/SP

 

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