Profissionais da área da saúde, dentre os quais se inclui o de Educação Física, certamente terão, no dia de hoje, 11 de outubro, um momento de reflexão acerca de suas condutas no que tange a prevenção e tratamento de uma das patologias que mais acometem a população mundial: a obesidade.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM, 2017), a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo, estabelecida em adultos que apresentam um índice de massa corporal (IMC – calculado dividindo-se o peso total do indivíduo pela sua estatura elevada ao quadrado) acima de 30 kg/m2. Destaca-se que ao apresentar um IMC entre 25 e 29,9 kg/m2, o indivíduo se enquadra na categoria de sobrepeso, assim como a obesidade mórbida, é apontada em indivíduos que apresentam o IMC acima de 40 kg/m2. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO, 2016) observa que a obesidade tem uma etiologia complexa e multifatorial, resultando da interação entre os fatores genéticos, ambientais, de estilos de vida e emocionais.

Dados publicados em importante periódico da área indicam um “crescimento exponencial” dos casos de obesidade mundial nos últimos anos. O estudo aponta que em 1980 existiam 857 milhões de adultos com sobrepeso no mundo, dentre os quais, 230 milhões eram considerados obesos. Poucos anos depois, em 2013, o número de indivíduos com sobrepeso saltou para 2,1 bilhões, enquanto o de obesos foi para 671 milhões. O estudo ainda aponta que metade destes obesos se concentra em 10 países, sendo que o Brasil está em quinto lugar do ranking com a maior população absoluta de obesos (Ng, 2014).

Estes dados são extremamente preocupantes, sobretudo pela relação direta que a obesidade apresenta com o desenvolvimento de várias outras patologias, tais como: Diabetes tipo II, Doenças vasculares, Câncer, Dislipidemia e outras. Portanto, todas as estratégias relacionadas à prevenção e ao tratamento do sobrepeso e obesidade, representam ações destacadas no contexto da saúde pública.

Considerando estes aspectos, é importante ressaltar que a prática do exercício físico é considerada uma relevante estratégia na prevenção e no tratamento para indivíduos com sobrepeso/obesidade, principalmente por seus efeitos agudos e crônicos na otimização do gasto calórico, na promoção de importantes alterações metabólicas (basais e em exercício) e na mudança no estilo de vida (LIMA, 2009). Em adição, enfatiza-se que as características do exercício físico (tipo, volume, intensidade duração e frequência), devem ser prescritas a partir de uma análise minuciosa de cada indivíduo, pautadas pelo princípio da Individualidade Biológica (CARNEVALI et al, 2013) e, principalmente, por um profissional competente que teve no escopo de sua formação acadêmica as especificidades necessárias para tal tarefa: o Profissional de Educação Física habilitado.

Prof. Dr. WALDECIR PAULA LIMA

Conselheiro e Presidente da Comissão Especial de Saúde (CES) do Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo – CREF4/SP

Referências Bibliográficas

SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2017. Disponível clicando aqui. Acesso em: 10 de outubro de 2017.

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes brasileiras de obesidade 2016 / ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. 4.ed. São Paulo, SP. 2016.

Ng M, Fleming T, Robinson M et al. Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2014: S0140-6736(14)60460-8.

Lima WP. Lipídios e Exercício – Aspectos fisiológicos e do treinamento. Phorte Editora. São Paulo, SP. 2009.

Carnevali Jr LC, Lima WP, Pereira RZ, Lorenzeti FM. Exercício, emagrecimento e intensidade do treinamento: Aspectos fisiológicos e metodológicos. 2ª Ed. Phorte Editora, São Paulo, SP. 2013.

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