As orientações do Ministério da Saúde apontaram a importância do distanciamento social, os governantes indicaram o fechamento de vários espaços tanto públicos quanto privados. Entre eles, parques, clubes, academias e demais centros de treinamento. Não há dúvida de que o distanciamento foi extremamente importante para diminuir o ritmo da transmissão e evitar o colapso do sistema de saúde do país. Porém, embora tais decisões tenham sido acertadas, elas trouxeram uma grande preocupação em relação aos baixos níveis de práticas possíveis de atividade física realizados pelas pessoas, em especial por aquelas que estão respeitando integralmente o distanciamento social. Tal fato pode gerar consequências negativas para a saúde física e mental, bem como para o bem estar pessoal, social e econômico.

No Brasil, os governantes têm proposto o retorno das atividades em academias para a fase 4 (verde) da retomada devido à preocupação com a suposta alta taxa de transmissão nesse tipo de ambiente. Contudo, recentemente, um estudo consistente – devido ao número de participantes e métodos empregados – realizado em Oslo, na Noruega, investigou a transmissão do vírus SARSCoV-2 e a doença do COVID-19 nas academias e mostrou resultados interessantes e importantes de serem apresentados.

Naquela cidade, em 22 de maio deste ano, cinco academias foram abertas especificamente para a realização do estudo, que contou com 3.764 indivíduos com idades entre 18 e 64 anos, sem nenhuma comorbidade que aumentasse o risco dos participantes.

O grupo testado foi composto por 1.896 indivíduos que frequentaram as academias, enquanto os outros 1.868 fizeram parte do grupo controle e se mantiveram afastados das academias. As atividades realizadas incluíram desde exercícios individuais (como musculação) até aulas coletivas (como yoga e bike) e eles realizavam os treinamentos entre 1 e 6 vezes por semana. 

O grupo que realizou os treinamentos nas academias precisava seguir os protocolos de prevenção propostos pelo Instituto Norueguês de Saúde Pública, que incluíam o distanciamento entre as pessoas de 1 metro e de 2 metros para a realização das atividades mais intensas. Além disso, precisavam: manter a higiene regular das mãos e dos equipamentos/materiais utilizados e não tocar, com as mãos, os olhos, o nariz e a boca. 

Os funcionários das academias realizavam o controle de acesso e evitavam a superlotação. Os vestiários foram mantidos abertos, mas os chuveiros e saunas não puderam ser utilizados.

Todos os indivíduos foram testados após o período de realização da pesquisa, entre os dias 8 e 9 de junho, com o teste SARS-CoV-2 RT-PCR (Cobas®, Roche Diagnostics Inc.) e uma semana após por ligações e registros eletrônicos.

Durante o estudo, com duração de 3 semanas, não houveram visitas a ambulatórios ou internações devido ao COVID-19 em nenhum dos grupos, bem como dos 91 funcionários que trabalharam nas instalações de treinamento, nenhum testou positivo para SARS-CoV-2.

Com isso, o estudo mostrou que não houve a transmissão de vírus ou o aumento da doença COVID-19 relacionada à abertura de academias, quando seguida a rotina de higiene e de distanciamento social.

Em 15 de junho, o governo norueguês permitiu a reabertura das instalações, desde que as medidas de higiene e distanciamento social aplicadas no estudo sejam seguidas.

A íntegra do artigo “Randomized Re-Opening of Training Facilities during the
COVID-19 pandemic” está disponível no link https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.06.24.20138768v1.full.pdf